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Árvore de natal

  Dezembro está aí batendo na porta. Simone já começa ecoar pelas ruas alagadas ou derretidas desse Brasilzão. É chegada aquela hora de decidir: montar ou não a árvore de natal? Eu não sou o Grinch, pelo contrário, adoro o natal . Uma das minhas grandes diversões dessa época do ano é ver filme de natal no ar-condicionado bem frio. Amo comidas natalinas. Adoro a decoração kitsch que nos permite libertar o mal gosto que por mais que neguemos, habita algum lugarzinho do nosso imaginário. Acho interessantíssimo observar como somos tão eurocentrandos, americanizados, capitalistas que normalizamos ser ganha pão de alguns idosos se fantasiar para andar no polo norte, em pleno centro do aquecimento global e é tudo tão mágico que levamos as crianças para verem aqueles velhinhos em sofrimento quase mortal, e fingimos que ele é um ser mágico, que pode mesmo ser por suportar um trabalho desses, ou talvez seja um tarado. A questão que me pega há anos sobre o pinheiro de natal é que eu...

Rainha Pop

Como relembrar é viver, hoje vamos de crônica que foi escrita quando a Rainha Elizabeth morreu, já andou por aqui, mas saiu e foi revisitada para concorrer a prêmios e foi terceira colocada no 19º Co n curso Literário Mário Quintana! Rainha Pop Então, a Rainha Elizabeth morreu. Já faz tempo, mas estava esperando a distinta senhora descansar em paz com a certeza que não teríamos nenhuma reviravolta, para escrever sobre isto. Não me entenda mal, não acredito que pessoas ressuscitem, mas sei lá, desconheço um mundo sem o imperialismo da monarca. Desconheço o mundo sem a rainha Elizabeth sendo “a rainha”. Para além dos conceitos de bom ou mau não podemos negar que ela era pop. Foi retratada até na animação dos Minions . Quando pensamos em rainha é inevitável vir à mente a imagem da senhora, que já era senhorinha quando eu nasci. Eu ainda tenho teorias que depois que os médicos tiraram o Martíni dela, a maionese desandou. Ela vinha calibrada no álcool há décadas, foi tirar o drinq...

Redação Enem 2023

  A mãe chega em casa quase dez da noite, depois de um de uma jornada estendida. Abraça seus amores. Toma banho rápido. Prepara uma salada que por mais que ela negue, e diga que vive de dieta por que não quer ter problemas de saúde, todo mundo sabe que no raso, bem no raso a pressão estética também conta. Senta e mastiga aquela alface com frango imaginando as inúmeras possibilidades de ultra processado que não está comendo, mas que com certeza fariam suas papilas gustativas e seu cansaço dançar música lenta de rosto coladinho. A pré adolescente entra na sala, com uma legging na mão e diz: - Mãe, preciso que costure porque não tenho calça para ir ao colégio amanhã. Colégio aquele que ela vai de van escolar e o transporte passa às 07h da matina. A mãe sorri: - Meu amor, acabei de chegar. Então, a compreensiva filha responde: - Não precisa ser agora. Pode ser mais tarde. Essa história poderia ser real, mas não é. Eu não conheço essa mãe que tem essa paciência. As que eu co...

Eu ganhei!

  A vida é uma coisa louca, se com uma mão ela te esbofeteia, com a outra ela te afaga pra manter esse relacionamento tóxico, complexo e nada dual. Em meio a furacões familiares ganhei meu primeiro prêmio em concurso literário. Fui terceira colocada na 19 ª edição do Concurso Literário Mário Quintana na categoria crônica promovido pelo Sintrajufe/RS. Adoro terceiros lugares! Prefiro os terceiros do que os segundos, porque os segundos quase foram os primeiros, mas por um tantinho de nada não chegaram lá, enquanto os terceiros quase não entraram no pódio, mas por um tantinho de nada chegaram lá. A crônica que me levou à premiação e me deu até um troféu coisa mais linda, falava sobre a morte da Rainha Elizabeth, manguaça e maternidade, porque obviamente são todos assuntos que se conectam uns aos outros, dentro de um fluxo mental muito próprio que às vezes parece uma free way de pensamentos. Não convidei muita gente pra ir na cerimônia de premiação, afinal eu sabia que era fin...

Professora super poderosa

  Já comentei algumas vezes por aqui que acho a profissão de professora uma coisa encantadora. Em especial d as que lidam com bando s de crianças e adolescentes. Coisa que tenho minhas dúvidas se eu seria capaz de fazer. Acho fascinante o jogo de cintura que ela adquirem . A cho que nem é que adquiram, é dom mesmo e com o passar dos anos na profissão vai aflorando, aflorando. Esses dias, por motivos profissionais, participei de um evento organizado por professoras, um festival de corais infanto juvenis. Várias, muitas, incontáveis crianças e adolescentes estavam presentes. E quem já teve essa idade sabe que sair em grupo dá uma coisa na gente que faz rir alto, gritar, se mexer sem parar. Os corais tinham lugares marcados para sentar, obviamente ninguém tava respeitando e foi sentando cada um num lugar, ficando perto da b ff e a organização das cadeiras que se danasse. Resultado: muitos não tinham onde sentar, porque não queriam ficar longe dos amigos, ou simplesmente porque...

Daí dificulta pra mim

  É impressionante como passa julho e parece que a gente cai no meio das bolinhas de natal. Não sei o que acontece é uma batida rápida de tempo e contra tempos, que nos fazem acelerar, acelerar e só mirar o recesso de fim de ano. Venho eu dirigindo meu carro nesse fluxo intenso de pensamentos, ouvindo um podcast para tentar entender a entropia do tempo e as barbáries do universo, aquelas que tenho concluído cada vez mais que só sei que nada sei, mas que ver criancinha morrendo é muito des esperador . Venho refletindo sobre como as pessoas odeiam por odiar, mas geralmente tendo algum capital envolvido nesse meio seja ele financeiro, social, territorial, político e acaba que quem odeia nem sabe direito porque odeia, tal qual uma marionete que não sabe porque caminha . Nesse intenso movimento de consciência vejo que eu também odeio, talvez o melhor fosse só desgostar e não odiar, porque odiar é tão forte. Pensamento vai, pensamento vem, ouço notícias, dirijo com um bom nível ...

Martina, a capivara

  Segunda semana de outubro somos brindados com mais uma data capitalista, o dia das crianças. Por mais sábios que sejamos, sabemos que não somos sábios o suficiente, nem fortes o suficiente para tentar driblar o mercado e como consequência termos crianças chorosas se achando inferiores ou menos amadas que as outras crianças, assim sucumbimos a lógica mercadológica. Esse ano especialmente eu estava comovida com meus próprios dramas familiares e as justificadas melancolias infantis que me rodeavam, que de forma alguma se comparam aos dramas das crianças vítimas das guerras, mas que também não podem ser invalidados. Dor e sofrimento não se compara, apenas se sente em seu próprio campo emocional e toma a proporção do mundo que se apresenta para nós. Em meio aos tropeços da vida, minhas filhas descobriram no shopping um quiosque em que você podia criar seu próprio bichinho de pelúcia. Pelo que pude entender a ideia é que o lugar vende mais que um brinquedo, uma experiência. A crianç...